Design de loja: o marketing invisível de uma marca

O design de loja é invisível. Ninguém nota nas decisões que estão por trás de cada metro quadrado de loja, o cliente apenas sente o espaço e navega sem pensar. Essa invisibilidade é a maior força da disciplina, e também a sua maior desvantagem profissional. Uma loja que faz o seu trabalho de forma eficiente não recebe aplausos. E, ainda assim, pode ser a peça de marketing mais importante que uma marca de retalho produz.


A loja nunca deixou de ser onde a marca acontece

Quando o e-commerce explodiu, assumiu-se muito rapidamemte que a loja física ia ficar obsuleta. Os dados vieram dizer o contrário. Cerca de 80% das vendas de retalho ainda acontecem no espaço físico, ou seja, mais de quatro em cada cinco compras continuam a passar por uma loja. Não é nostalgia, é onde está a maior parte do comércio, e a maior parte da experiência de marca. Até a geração que cersceu online o confirma: segundo o ICSC, 97% da Geração Z compra em lojas físicas.

O que mudou, e realmente mudou, foi a função da loja.

Interior de loja com layout pensado para guiar a circulação do cliente

Deixou de ser apenas um sítio onde se compra e passou a ser o lugar onde uma marca se sente, com todos os sentidos. O design de um espaço de retalho é hoje menos sobre expor produto e mais sobre experiência: narrativa, identidade, um sentido de pertença. A loja tornou-se o argumento de posicionamento mais relevante de uma marca. E esse argumento tem de ser construído por alguém que consiga criar uma imersão sensorial através do espaço.



Estratégia confundida com gosto

Há uma conversa a acontecer entre profissionais e gira sempre à volta da mesma frustração: esperamos que o design de loja e o visual merchandising gerem vendas, mas continuamos a tratá-los como decoração, como algo subjetivo, uma questão de gosto pessoal em vez de estratégia comercial. O resultado é uma disciplina julgada pela perceção em vez dos números, com resultados que raramente se medem.

Mas uma coisa é certa: adivinhar não é criatividade. Um espaço de retalho bem desenhado é uma sequência de decisões comerciais intencionais: onde o olhar pousa, como o corpo se move, o que alcança e de que forma, quanto tempo permanece. O insight da montra mais inspiradora pode nascer de um dado numa folha de excel.

Porque é que a experiência não se improvisa

Um ambiente de loja coerente e imersivo não nasce da inspiração do momento. Nasce de uma competência específica: traduzir a identidade de uma marca através de uma narrativa que conjuga conceito, teoria da forma, da cor, sentidos, ergonomia, materiais, luz, composição, a alocação dos produtos, e toda a logística que um espaço de venda ao publico exige.

Nada disto é ao acaso. É a diferença entre uma sala cheia de produtos e um espaço que faz o cliente sentir alguma coisa. É por isto que esta função de design de loja é, no sentido mais literal, marketing invisível: comunica sem nunca se anunciar.

Foi sobre isto que fui convidada a falar no Pitch, o programa de marca e conteúdo da CNN Portugal. Cada decisão no design de loja é intencional, desde a escolha dos materiais até à forma como os produtos são dispostos e composição, não apenas para cumprir uma função logística, mas para transmitir os valores e os pilares da marca.

O ponto de contacto mais humano

Os programas que trazem este ofício para o ecrã estão a fazer um trabalho importante para a profissão, precisamente porque tornam visível um trabalho que vive de ser invisível.

Quanto mais o mercado perceber o retorno que o design de loja traz, mais vai procurar quem o sabe fazer. E essa procura está a chegar: à medida que as marcas competem menos no produto e mais na experiência física de loja, a capacidade de traduzir identidade em espaço torna-se uma competência rara e decisiva.

Porque, para além de todas as métricas e de todos os números, no final do dia é sempre sobre pessoas, e sobre o que um espaço as faz sentir. Essa é a parte que nenhum algoritmo substitui. A loja é onde uma marca deixa de se descrever e começa a ser vivida.

Os profissionais capazes de moldar essa experiência, não são decroadores, são um dos ativos mais importantes para posicionar uma marca no TOM do consumidor. É este o trabalho que fazemos no Studio, trabalhamos para marcas e agências que trabalham a experiência de loja física como parte da estratégia.

Podem conhecer o serviço de retalho e visual merchandising, ver alguns projetos, ou perceber o método que sustenta cada leitura de espaço.

Criamos espaços com sentido de identidade.


Falei sobre design de loja no programa Pitch, da CNN Portugal, que foi para o ar a 1 de Agosto. O segmento completo está disponível aqui ou no youtube.

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O que distingue um projeto de interiores pensado como espaço